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Inteligência Artificial para Advogados: entre o Medo, a Resistência e a Responsabilidade

21 de set.
5 min de leitura


A inteligência artificial para advogados já não é uma hipótese distante: entrou definitivamente no trabalho jurídico.. Ainda assim, muitos advogados continuam a observá-la com desconfiança, receio ou resistência.

Essa prudência não é necessariamente negativa. A advocacia trabalha com direitos, património, liberdade, confidencialidade e decisões que produzem consequências reais na vida das pessoas. Nenhum profissional responsável deve entregar um assunto jurídico a uma tecnologia que não compreende, não controla ou não consegue validar.

O problema começa quando a prudência se transforma numa recusa absoluta de conhecer, testar e avaliar aquilo que já está a alterar a forma como a informação é pesquisada, organizada e analisada.

A questão deixou de ser saber se a inteligência artificial será utilizada no trabalho jurídico. A verdadeira questão é saber com que método, critérios e limites deverá ser utilizada.

Advogados perante a inteligência artificial no ecossistema MF LEGADO I.A.

Inteligência artificial para advogados: o medo da substituição

Um dos receios mais frequentes é o de que a inteligência artificial venha substituir os advogados.

Mas exercer advocacia não consiste apenas em produzir texto.

O advogado interpreta factos, enquadra juridicamente situações complexas, identifica riscos, define estratégias, pondera consequências e assume responsabilidade perante o cliente. Compreende o que não foi dito, reconhece interesses contraditórios e toma decisões num contexto humano que nenhuma resposta automática consegue esgotar.

A inteligência artificial pode organizar informação, comparar documentos, ajudar a estruturar uma peça ou apoiar uma investigação. Não pode, contudo, assumir a responsabilidade profissional pela decisão tomada.

O valor do advogado não desaparece com a utilização da tecnologia. Torna-se mais visível naquilo que a tecnologia não pode fazer: interpretar, ponderar, decidir e validar.

A desconfiança perante respostas erradas

A preocupação com respostas incorretas ou inventadas é legítima.

Uma ferramenta de inteligência artificial pode apresentar uma afirmação falsa com uma linguagem aparentemente segura. Pode confundir diplomas, fabricar referências ou construir uma conclusão juridicamente frágil.

Por isso, não deve ser tratada como uma fonte de autoridade nem como um substituto da análise profissional.

Utilizar inteligência artificial no Direito exige verificação das fontes, confronto com os documentos, confirmação da legislação aplicável e validação integral pelo advogado.

O problema não está apenas na possibilidade de a tecnologia errar. Está também na possibilidade de o utilizador não reconhecer o erro.

Quanto mais sofisticada parecer uma resposta, maior deverá ser a disciplina crítica de quem a recebe.

Confidencialidade e proteção dos dados

Outro receio central diz respeito à confidencialidade.

Os advogados trabalham com informação sensível: dados pessoais, estratégias processuais, documentos reservados, elementos patrimoniais e comunicações protegidas pelo segredo profissional.

Não é aceitável introduzir indiscriminadamente essa informação em qualquer ferramenta disponível na Internet.

Antes de utilizar uma solução de inteligência artificial, o advogado deve compreender onde os dados são tratados, que informação é conservada, quem lhe pode aceder e para que finalidades poderá ser utilizada.

A adoção responsável da inteligência artificial começa antes da primeira pergunta. Começa na escolha da ferramenta, na minimização dos dados partilhados e na definição das condições concretas da sua utilização.

Usar inteligência artificial diminui o valor intelectual do advogado?

Existe também uma resistência menos declarada: a ideia de que recorrer a inteligência artificial diminui o mérito ou o valor intelectual do trabalho jurídico.

Mas um advogado não vale pelo número de horas que demora a ordenar documentos ou a localizar informação dispersa. Vale pela qualidade do seu raciocínio, pela pertinência das perguntas que formula, pela estratégia que constrói e pela segurança da decisão que entrega ao cliente.

Uma ferramenta que reduza trabalho mecânico não elimina o conhecimento jurídico. Pode criar mais tempo para o aplicar onde ele é verdadeiramente necessário.

A utilização responsável da inteligência artificial não dispensa estudo, experiência ou pensamento crítico. Pelo contrário, exige mais capacidade de formular instruções rigorosas, avaliar resultados e detetar insuficiências.

Sem conhecimento jurídico, a tecnologia pode acelerar o erro. Com conhecimento, método e validação, pode reforçar a qualidade do trabalho.

Resistir também tem um custo

A resistência à mudança é compreensível numa profissão construída sobre confiança, estabilidade e responsabilidade.

Mas recusar conhecer uma tecnologia não impede que ela seja utilizada por clientes, empresas, tribunais, colegas e concorrentes.

O risco não está apenas em utilizar mal a inteligência artificial. Existe também um risco em ignorá-la completamente.

Quem não conhece as capacidades e os limites destas ferramentas terá mais dificuldade em avaliar documentos produzidos com o seu apoio, detetar erros, aconselhar clientes sobre a sua utilização e compreender as transformações que já estão a ocorrer no mercado jurídico.

Não se trata de aderir acriticamente a tudo o que é novo. Trata-se de desenvolver competência suficiente para decidir quando utilizar, como utilizar e quando não utilizar.

Ferramenta generalista não é inteligência jurídica especializada

Nem todas as soluções de inteligência artificial são iguais.

Uma ferramenta generalista responde a perguntas sobre praticamente qualquer assunto. Uma inteligência jurídica especializada é construída para apoiar funções concretas, respeitar uma metodologia definida e trabalhar dentro de limites previamente estabelecidos.

Esta diferença é essencial.

O advogado não precisa de uma máquina que escreva indiscriminadamente. Precisa de uma arquitectura que o ajude a organizar factos, analisar prova, investigar fontes, estruturar argumentos e testar decisões sem eliminar a intervenção profissional.

Foi a partir desta exigência que nasceu o MF LEGADO I.A.

O ecossistema integra cinco inteligências especializadas:

PRAXIS — preparação de peças processuais a partir dos factos, documentos e orientação jurídica fornecidos pelo profissional.

ANALYTICA — auditoria de decisões e apoio à definição da estratégia processual.

ARGUS — reconstrução dos factos, da cronologia e da estrutura da prova.

VERITAS — investigação jurídica estruturada a partir de uma questão concreta.

LEX — investigação confirmada, com identificação das fontes relevantes e verificáveis.

Cada inteligência foi concebida para uma função própria. Nenhuma substitui o advogado. Todas dependem do seu conhecimento, da sua decisão e da sua validação.

A inteligência artificial não elimina a responsabilidade

A utilização de inteligência artificial não transfere a responsabilidade profissional para a tecnologia.

É o advogado quem decide que informação fornecer, que resultado aproveitar, que fontes verificar e que solução apresentar ao cliente.

Por isso, a verdadeira fronteira não está entre advogados que utilizam inteligência artificial e advogados que não a utilizam.

Está entre quem a utiliza sem critério e quem trabalha com método, limites e responsabilidade.

A advocacia não precisa de abandonar os seus princípios para integrar inteligência artificial. Precisa de garantir que a tecnologia é colocada ao serviço desses princípios.

Do medo ao domínio

O medo pode ser um bom ponto de partida quando conduz ao conhecimento. Obriga a fazer perguntas, a testar limites e a exigir segurança.

Mas não pode ser o ponto de chegada.

O advogado do futuro não será aquele que entrega o seu raciocínio a uma máquina. Também não será aquele que ignora a transformação tecnológica e espera que ela desapareça.

Será aquele que compreende a ferramenta, controla o processo e preserva aquilo que define a profissão: independência, rigor, confidencialidade, pensamento crítico e responsabilidade.

A questão não é saber se a inteligência artificial substituirá o advogado.

A questão é saber que advogado estará preparado para trabalhar com ela sem abdicar do Direito, da ética e da decisão humana.

Conheça o MF LEGADO I.A. e experimente uma nova forma de trabalhar com inteligência artificial jurídica:

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